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A gente nunca para de construir a nossa casa.

  A gente nunca para de construir a nossa casa. Me dou conta disso não por atuar construindo lares, mas por me ver, todos os dias, construindo o meu próprio. Eu e Victor nos mudamos há quase um ano e, na urgência de ver tudo funcionando, de ter cada coisa no seu lugar, eu me esqueci de algo essencial: casa não nasce pronta. Ela se revela. Construir um lar é, antes de tudo, um encontro. Um reconhecimento lento de quem somos e de como queremos nos expressar naquele espaço. Descobrir o que vai para a parede, o que fica guardado, o que pede tempo. Ser arquiteta me dá facilidade no olhar técnico, na leitura do espaço, nas soluções rápidas. Mas, em algum momento, a pergunta apareceu: quem sou eu além da arquiteta? Onde mora meu olhar afetivo, para além do funcional? Foi aí que entendi: casa é construção emocional. É pertencimento. É morar. Quando chegamos, eu queria pintar paredes, desenhar móveis, trocar a luz do teto. Um ano depois, as paredes seguem no mesmo tom de gelo d...

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